
Discurso quase espontâneo
Data 27/12/2006 23:29:39 | Tópico: Poemas
| Dizem-se coisas de pasmar Quando se abre uma boca espontânea Sem intenção de chamar a atenção... É como sonhar alto ou delirar Ou mesmo falar com uma bebedeira tamanha Em que ninguém fica de pé para seguir uma direcção.
Fugir de uma censura apertada Requer que saiam coisas de pasmar De bocas onde não mora a espontaneidade, Onde a lábia é fartamente elaborada Por cabeças que não param de pensar Nas maneiras de dizer a liberdade.
Só os sãos não trocam a vida por escravidão, Só eles sabem o que andam por aí a fazer, Os outros desconhecem o que se está a passar. Se eu crescer quero ser um são Para poder ter o meu poder De dirigir, controlar e mandar.
Pode ser estúpido imaginar qualquer coisa Mas pode ser são e espontâneo fazê-lo... E o mundo é fácil de fazer girar Quando se imagina tudo com a certeza De que nada nesta vida pode detê-lo... Afinal qualquer é uma certeza que se deve imaginar.
Que isto não se leve muito a sério Pois é certo que espontaneidade é vida Mas tento e juízo são o fiel da balança, Por isso deixarei ao vosso critério A resolução desta pequena contenda Entre a experiência do homem e a espontaneidade da criança.
Valdevinoxis
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