
Evasão
Data 03/12/2015 17:56:16 | Tópico: Poemas
| No silêncio da minha cama fria, na loucura do meu quarto sem sentido, na tristeza da minha casa tão vazia, caminho passo a passo, em vão, perdido.
Bóiam tantos mortos em torno a mim ... E oiço alguém desamparado que me fala comovido ... Alguém que olha com olhos de jasmim, cujos olhos, cortam o silêncio, como um grito ...
Sua face, escavada, adornada de solidões ardentes, quase morta, coberta de cansaços e mais nada, lembra casas como a minha já sem porta.
Seus olhos de descansos por viver, de pálpebras frias, pesadas, sem nada, choram lágrimas de pedra, a arder em corpos de andorinhas, sós, paradas.
Seus lábios coam água de seus olhos, sua voz, azeda, balbucia solidões, o destino, esse, quem lho deu, cheio de escolhos, cansaços de amargura, tristeza e podridões?!
Nem sei que diga ante dor que é tamanha! Que triste desencontro! Eu lamento esse dia que se prende no meu peito, que me apanha, sempre que escrevo no papel uma poesia!
Ricardo Maria Louro
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