
O vestido
Data 21/11/2015 18:00:43 | Tópico: Textos
| Já viste os cavalos a correr nas planícies alentejanas ao anoitecer? O sol a bater na pele deles dá uma tonalidade igual ao teu vestido…
Recuou… como era possível aquela pergunta/resposta? Retrocedeu no tempo. Aos momentos que ele não conhecia…
Era Verão. Um Verão daqueles que só acontecem nas planícies. Só ali existe a magia própria do dourado ondulante contra o azul insinuante do céu. E quando o sol se põe tudo fica rasgado de vários tons de laranja. Fabuloso. Não… é muito mais do que isso! É tanto que não se sabe dizer… Ao longe ainda corriam cavalos felizes e brincalhões. Não eram todos iguais. Haviam uns maiores que outros e de cores distintas. A luz do fim da tarde, povoava de raios e sombras a paisagem, qual quadro célebre exposto no melhor dos museus. E os cavalos tinham cores misteriosas e brilhantes que iam escurecendo ao passar de cada minuto. O silêncio da tarde calma, cantava hinos à paz que sentia na alma. Sentia-se tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Perante a grandeza do espaço aberto e livre, era tão pequena; mas era a sua grande força que lhe dava a paz naquele momento, tão eterno (em quantas tardes de quantos Verões vira o mesmo quadro? Em quantas delas se ouviram as suas gargalhadas? Em quantas delas as lágrimas escorreram indomadas pelas saudades dos que partiram?).
Voltou ao presente. Que cor é essa? Os cavalos têm diferentes cores que, ainda se transformam noutras, consoante o sol que bate neles.
Que lhe interessava a cor do vestido?! Sabia que para ele, a cor desse vestido era mágica. Tão mágica como os quadros reais que, para ela, eram os mais belos. Isso sim!
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