
Zumbi, Rei dos Palmares (Maria Teresa Pinheiro)
Data 20/11/2015 17:28:05 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
|  Hoje, passado um século Alegremente, venho exaltar O rei negro, valente, indomável Que viveu prá sua raça libertar
Quem ainda nunca ouviu falar do negro Pare um pouco agora prá escutar Como é linda a história deste anjo Que resolvi, neste dia, lhes contar
Cansado de viver no cativeiro E vendo sua gente só sofrer Zumbi rompeu a rede da injustiça E nas matas, com seu povo foi viver
Negro de pele brilhante e de idéias liberais Célebre, por sua coragem e por sonhos divinais Zumbi, fundou no Estado de Alagoas O "Quilombo dos Palmares"
Na busca incessante, da paz tão sonhada Fugindo dos açoites e dos ferros em brasa, Do medo dos senhores e da aflição da senzala, Na Serra da "Barriga" fizeram morada
Protegidos por florestas de palmeiras E tendo o velho mestre na dianteira Os filhos do infortúnio e da tortura Esqueceram-se das algemas e das canseiras
Filhos das matas, dos rios e cascatas Amigos dos bichos e da lua prateada Ignoraram o grito de dor, que longo tempo suportaram Respirando o ar puro das montanhas abençoadas
Subiram serras, ouvindo o sabiá Pularam vales, atrás do uirapuru Dormiram no seio da noite azul Correram montes de Norte a Sul
Mas, um dia o terror lá no morro chegou E o que era só felicidade, de repente sucumbiu Os capitães do mato os encontrou E uma enxurrada de sangue, desceu pelo triste rio
Só que o pai negro, gigante e justiceiro Guardião da fortaleza e protetor dos infelizes Que tinha no sangue a justa rebeldia Driblou a todos com grandiosa maestria
Passado alguns anos, o nosso herói, tombou vencido Traído cruelmente, por um antigo amigo Seu povo finalmente, foi dominado e humilhado E o "Quilombo de Zumbi", foi esquecido.
Poema de Maria Teresa Pinheiro em homenagem ao Centenário da "Abolição dos Escravos" (1888/1988), publicada na IV Antologia de Poetas e Escritores do Brasil - Volume XI - 1989 (Selecionados pela Revista Brasília), organizada por Reis de Souza.
Dia 20 de Novembro, comemora-se o "Dia da Consciência Negra". Portanto, com este meu poema, presto a minha mais sincera homenagem.
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