
O tempo vem, o tempo vai, e tu ficas Amarrado à sucessão dos tempos no tempo, Criando discórdia entre o sol e a lua, Que não se encontram, senão No milenar dia de abraços eclipsados.
Na consciência humana Semeaste a dissonância, Adjetivada e configurada Pela lei dos contrários do teu reino; Ao bonito amarraste o feio, Ao bondoso juntaste o malvado.
Ó velha oposição, Para quê tanta contrariedade? As desavenças por ti geradas, Blasfemam os humanos: O desamor se opõe ao amor A morte contradiz a vida O mal assombra o bem necessário, Que tu concebeste e oposto lhe amarraste.
As desavenças dizimam a humanidade, E tu no velho e novo tempo do teu reino, Assinaste o memorial À eternidade da lei dos contrários.
Adelino Gomes-nhaca
|