
A agonia de querer ser livre
Data 22/10/2015 01:32:35 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Hoje estava pensando nessa tal liberdade. Daí me veio a mente Os diversos questionamentos Que ouço todos os dias a minha volta. Um dos mais paradoxal diz respeito ao amor: Enquanto uns dizem saber o que ele é Outros afirmam, categoricamente, não saber explicá-lo. Na verdade é difícil expressar algo que não vemos. As pessoas não entendem O que é estar preso a um sentimento onde, Por mais que você queira, não consegue se livrar. Liberdade é quando você pode sonhar E realizar aquele sonho. Mas, daí entra outra questão pertinente: Ora, um sonho já se explica automaticamente... Sonho é sonho. O que se realiza não é sonho é realidade. Pois bem, voltando a liberdade. Nas encruzilhadas da vida, Cansados de tanto caminhar pela longa estrada, De repente nos deparamos Com o olhar de uma pessoa que acaba de chegar ali Naquele exato momento. O que eu procuro ela procura. Não existem palavras, Apenas a troca de olhares O que é suficiente Para desestabilizar todo um planejamento. A partir daquele momento Já não podemos andar mais sozinho, A liberdade se foi... Somos prisioneiros. Que coisa mais complicada. Acontece que, por passar situações semelhantes, As pessoas querem dar palpites Dizendo que sabe o que estamos passando... Sabe nada. Nem a outra pessoa sabe. Só nós sabemos o que realmente passamos (ou também não sabemos coisa alguma). A agonia de querer ser livre E fazer o que bem queremos. Mas não temos Nem a liberdade de escolher no que pensar. Outra coisa fundamental nessa questão É o "prejulgamento" que os externos Fazem da nossa situação. Observam o nosso semblante e, No ato, dizem saber o que estamos sentindo: "Nossa, você viu o passarinho verde? Está tão feliz!". Ou: "Poxa vida, por quem você está apaixonado?"... Caramba, quem disse que estou apaixonado? E se estou, o que tem isso? Pode ser que esteja feliz Porque passo por um momento bom de minha vida Onde consigo escrever o que gosto. Adoro falar de sentimento... Adoro escrever sobre o mundo, Sobre as divagações de um coração Anelante pelo prazer de ver As letras surgindo como se fossem automáticas... Sim, é isso! A liberdade que tanto almejo É aquela de poder dizer, Sentir e escrever o que quero Sem ter que lidar com esse "prejulgamento" ridículo Que prejudica uma alma livre como a minha. Notaram o paradoxo? Eu falo de alma livre E questiono a liberdade de expressão.
Poema: Odair José, o Poeta Cacerense
Odair José
http://odairpoetacacerense.blogspot.com
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