
Céu de cal
Data 08/10/2015 21:11:38 | Tópico: Poemas
| Os lobos já se deitaram Mastigam com os dentes uma morte íntima Em redor a terra saturada E a fértil noite, abraça-me, Prenuncio-me às estrelas que pintaste no céu As veredas abrem-se húmidas Sacio-me no silêncio da tua boca Enquanto engoles a sombra E o choro das amoras.
A cicatriz roça-me os dedos Incendeia-se antes do tocar dos corpos Como duas folhas no meio da paisagem À espera de um porto seguro Prenuncio-me de novo, Mas as estrelas já não estão lá, Naquele imenso céu de cal Ouço-me! Ouço-me dentro de ti Como um búzio a espalhar oceanos No gume lunar dos sentidos, E as pupilas entregam-se à solidão das glicínias Aquecem o frio da adaga Onde a minha ausência repousa
Conceição Bernardino (inédito)
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