
Derradeira jornada
Data 25/09/2015 21:37:24 | Tópico: Prosas Poéticas
| De uma vez por todas eu sei que não pude desenhar-te como o projecto final A consciência perdeu-se em cada acto meu findo o esboço onde apuramos os beijos que ficaram inconscientemente despidos nos lençóis onde nos embrenhamos tentadoramente Tenho hoje só pra mim esse sabor a pleno vazio no vazio da vida Por mais que tateie encontro somente um naipe de palavras jogadas neste poema onde entretenho os meus silêncios prestes a fugir numa integral bebedeira até à última derradeira jornada gratinando penosa nossos suplícios encaixados nesta poesia que se esvai no tempo com veemência e tão indisciplinada Demolimos mais que um sonho executámos dons de vida pra com vida nos intoxicarmos até à saturação do tempo fingindo-me eu a tua noite e tu meu sonho impossível guardando a plena medida das minhas ânsias e desejos sem mais indisfarçáveis contrapartidas Nada mais me falta porque encontrei todo o vazio de nós preenchi-o com torrentes de poesia franca redigida, fiel com pedaços intemporais coagidos pelo som de muitos silêncios tão fraternais Fui mero viajante em todos os descaminhos deste mundo Lambi todas a feridas mal cicatrizadas Afoguei-me em lágrimas depois daquela enxurrada de gargalhadas correndo pelas tuas encostas serenas em delírios guardados no invólucro das nossas paixões Deixa pois o negrume de mais uma noite se despir na manhã e nós erguendo-nos arrojados à vida jamais sucumbamos engolindo silêncios…cicatrizando e convivendo entre nossas fantasias que se apressam em orações a este amor se oferecendo que arde em fogo e inquietações tecendo Que aquele dia exista completo neste meu corpo que em dores doendo ainda assim te empresto Cicatriza-me a vida nem que seja com palavras invulneráveis flageladas pela brevidade do tempo onde expões nossos pactos resolutos condecorando toda a fiel hora fugidia com lealdade Ruma ao traçado deste destino e te darei meus aromas atapetados na manhã que perfuma cada eco matutino Possibilita-me querer-te mesmo que anónimo peregrinando por ti…legítimo Autentica-me as páginas onde tatuei célere o mesmo poema afável materializado num ser indubitável onde seduzidos nos embebedamos em gracejos fecundos descomunais FC
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