
"REAL FÁBULA DE UM LOBO MAU"
Data 18/02/2008 21:59:46 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Falava com a propriedade De quem detinha a verdade E a certeza do que queria. De onde vinha, para onde ia!
Impunha-se pela idade A quem dele tinha a metade E disso ele bem sabia. E bem sabia o que queria.
E assim a Arrebatou Totalmente Fascinou Quem ainda no seu ninho Nada sabia da Vida.
Como tenro passarinho De longe ele a cobiçou Velho lobo vendo o ninho Sua sorte experimentou.
Neste mundo tão mesquinho Qual o tenro passarinho Que podendo sair do ninho Suas asas não esticou?
O conto de tão velhinho Nem precisa de detalhes Para ser bem entendido E por todos compreendido.
O Lobo feito Cordeiro Seu papel bem conhecia. Tinha chegado primeiro Às lutas deste terreiro.
Era guerreiro batido. Experiente e sabido. Em desafios experimentado. E em muitos logros provado.
Num acaso viu a presa E por que não degustá-la? Era fácil agarrá-la E ele não tinha pressa!
Seguro em sua toca Por ele próprio preparada Ali era Senhor e Dono Ali...só ele mandava.
E ali mesmo degustava As presas que ele caçava Limpando depois o lixo Quando o festim acabava.
E o seu lixo eram despojos De seres ainda vivos Que depois de comidos Eram depressa varridos.
E desses seres usados Sem nem estarem descarnados Ele só queria um bocado Um momento de pecado.
De pecado porque os bania Do covil em agonia Com os membros amputados E os corpos retalhados.
Deles só comia bocados. Os mais reles ou requintados. Para onde a gula o guiava, Aí... ele se saciava.
Ali, naquele covil Reinava o instinto vil Que queimava nas entranhas Daquele lobo voraz.
De tudo ele era capaz. Esse ser que nem vivia Porque nem alma tinha. Só comia e só mordia.
Sem tréguas, o predador Nem comia, só mordia. Porque o que o atormentava A carne não saciava.
Nem ele podia, infeliz Ter o que ele procurava Ele queria poder ter Vida E como não tinha, matava.
Matava, mas só a alma Daqueles a quem atraia Porque queria deixar morto Todo aquele que vivia.
Maldito e Amaldiçoado! Da traição, conhecedor. Estratega, sem um remorso Infligia morte e dor.
O seu mundo eram as trevas. E quieto, sem clamor Aprendeu a ceifar almas Sem se importar com a dor.
Porque dores, só dos tristes Que caíssem em seu laço “Tu? Para mim nem existes De ti só quero um pedaço!”
“Magoei?! Não faças rir! Vá, anda, toca a partir! Nem te quero ver a cara Quanto mais ouvir carpir!”
O covil fica na esquina De uma qualquer rua normal O lobo não busca a menina Ela é que vai ter com o mal!
(Por Ana C.)
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