
A Senhora de Valle- Flor
Data 07/09/2015 15:43:46 | Tópico: Poemas
| De pele trigueira e olhar firme porte de gazela, pelos campos ao calor, - ó Poeta -, fala, escreve, diz-me, alguém há que se assemelhe à Senhora de Valle-Flor?!
Alta, esguia, perturbante, passa por entre os nobres sem temor, deixa a um canto a Senhora Duquesa de Brabante a Senhora Marquesa de Valle-Flor.
Vestida de brocados e cetins, pedras, pérolas, jades incolor, desliza p'los salões ao toque dos clarins a muy nobre dama Senhora de Valle-Flor.
Mas um dia, algo terrivel ocorreu, chega-lhe a noticia que a deixa sem fulgor, Jenny, sua filha, tão jovem, morreu! Pobre e contristada Senhora de Valle-Flor.
O Marquês, deixara-a antes tão nova, esse, a quem dera tanto amor, agora, sua filha, 20 anos, vai à cova, triste, no Palácio, a Senhora Marquesa de Valle-Flor.
A Rainha, Dona Amélia de Bragança, vem ao Paço dar a mão à sua dor, traz-lhe flores e um abraço de esperança: "- Aceitai estas Rosas Senhora de Valle-Flor!"
De negro vestida, véu cobrindo o rosto, tão ressentida, pálida, sem cor, cai aos pés da rainha - tal o desgosto da muy nobre Dama - a Senhora de Valle-Flor.
" - Alevantai-vos!" Diz a Rainha. "- Pobre mãe, alembrai de Maria a sua dor, sabeis agora o que é ser mãe - tão bem, Senhora Marquesa de Valle- Flor."
"- É tão funda, Senhora de Bragança, a dor que me assola o coração, que não há Rosas nem esperança que me tirem deste valle de solidão!"
Ainda hoje, à porta do jazigo da defunta, se vê passar um vulto que liberta um odor das Rosas que leva no regaço! Quem é? Alguém pergunta! E há um suspiro que se escuta. É a Senhora de Valle-Flor!
Ricardo Maria Louro Em Terena do Alentejo
Poema à Senhora D. Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto Valle-Flor (1872-1952) Primeira Marquesa de Valle-Flor, e à sua filha, Jenny Valle-Flor, falecida muito jovem, ainda adolescente ...
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