
Não há praça para o meu monumento
Data 17/02/2008 21:39:07 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Muitas vezes os monumentos parecem de paz, Talvez tragam lamentos mudos, Talvez palavras e gestos sangrentos, Talvez até a própria paz!
São sempre ricos e cheios de glória. Sempre gritam à história de um povo Num corpo de bronze.
Qualquer dia desses ergo um monumento. Não um monumento ao que é grande. Sim um monumento incompreendido. Um monumento de barro e sangue. Um monumento de pedaços de jornal velho, Um monumento de ossos e ouro, Um monumento coberto de folhas de outono, Um monumento úmido,
Porque traz lágrimas, Porque traz tristezas e alegrias, No choro e no riso, De heróis e bandidos.
Há quem diga que não há praças Nem história para o meu monumento. Há os que farão com cuspe e violência O fim do meu monumento. Há os que farão sorrindo o ridículo Do meu monumento.
Com certeza a neve de inverno Mutilará o meu monumento. Cobrirá com um manto frio O sangue e o barro. Com certeza o sol de verão secará O pranto do meu monumento. Talvez a inocência de pássaros e crianças Faça fim à história do meu monumento.
Mas, não importa que destruam. Ou mutilem o meu monumento, Sempre que me der vontade, Ergo um monumento sujo e incompreendido. De sangue e barro, De osso e ouro, De pedaços de jornal velho, Coberto de folhas de outono.
1974
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