
O anfitrião das sombras
Data 24/08/2015 18:53:20 | Tópico: Poemas
| Porém maior receio me assaltava, Na reticência auspício triste vendo, Que na expressão talvez não se encerrava. — “A esta hórrida estância, descendendo Do limbo, pode vir quem só padece, A esperança”, — inquiri — “toda perdendo?”
A Divina Comédia - Inferno - Canto IX
Ó [ser]incréu amaldiçoado que ousa chamar o pródigo d'enganador! Solerte vigília, não deixaremos que teu olhar rápido possa penetrar nas profundidades dos corações consagrando emergente vingança. Tua raiva é a ira violenta, sangrenta nuvem d'ódio cobre-te a testa, mas a tua emoção nunca romperá o segredo jamais compartilhado.
Podes debalde, atirar para nós tantos quantos [teus]olhares irritados, vives num submundo temido, [és] infausto ser jazido na noit'eterna. Fomos todos nós ameaçados pelos rugidos e grunhidos dos porcos, na rede de mentiras definhando ao som terrível da matilha latindo. Fomos forjados e amadurecidos nas entranhas d'um Etna fornido de rocha derretida arrotando às trêmulas nuvens chamas sulfúricas, sublimando o que expeles da boca fétida, forno da palavra maldita.
Que vagues [vil] na floresta da noite sagrada pálida de luzes cintilantes quedes envolto n'espessa neblina dos vapores do mármore fundido. Ó anfitrião das sombras! Restará para ti o Silêncio da Paz tão hiante.
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