
Paraíso perdido
Data 24/07/2015 12:04:07 | Tópico: Poemas
| O paraíso Nunca foi perdido Nós é que vamos Perdidos nele.
A vez primeira Em que me tornei Um passarinho Foi naquela jabuticabeira.
Foi de manhã Num domingo Quando me tornei Ainda mais lindo.
Beijo o mundo Inocente A tudo pertencente Beijo-o álacre Sem nenhum milagre.
Tomo-me De tamanha simplicidade E sinto-me Tão jovem Que já não tenho idade.
Meu presente São os longes Que não vivi outrora Por isso me sinto Tão ausente Solto em todo o ente.
Meu passado É tão próximo Que o já não lembro. Fiz dele um desenho Que ora apago, Ora xilogravo Nas asas de um pássaro,
E o futuro dos homens Não me angustia Ou consome Se resume a este dia A tudo o que é E some.
Cobras e lagartos Conversam comigo. Como todos os frutos E nenhum é proibido.
Passo por corredores, Estradas e escadas Sentindo o rasto De lavanda e gasolina. Trepo com pretas e polacas E faço negócios da china.
Sou um novo adão E ando nu, ao léu, Nas asas de um avião Ou das borboletas A adejarem As flores de um vergel No paraíso perdido.
Bebo de todas as fontes. Mato aqui Toda a minha sede e fome A beijar liliths, santas e marias, A dar festas, risos e alegria, A brincar com diabos e meninos, Os mais belos que já vi.
Ter medo de quê Se jamais saberemos Se o boticário nos preparou Um perfume ou veneno?
Nada me impressiona E fico atento, Sensível a tudo Que, visível, Me emociona,
Porque é bom Ouvir as ondas Batendo no cais, Amar, cantar Sorrindo, Para depois morrer Como os pardais À beira do mar, À beira do lindo.
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