
REFÉM
Data 15/02/2008 02:07:07 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Passo serras, matos matam O céu está muito além Um rio corre ao lado O anjo da guarda vem Abri a porta ao entrar E saiu somente quem? Joguei meu anel no mar Pedi, mas não vi ninguém Não faço mil maravilhas Nem para ganhar vintém Saltei do despenhadeiro Um anjo disse: amém Será que ali é o céu Ou a torre de Belém Ah, meu Deus se fosse lá Mas estou muito aquém Isso é neve ou brisa Ou o vento do Eden? É fácil ser marinheiro Fascinado com o vaivém Na noite em que me deixaste Eu corri a mais de cem Se for para embarcar Diga que já foi o trem Naquele lugar sombrio Rezam o teu requiem Sou triste, mas ontem mesmo Sucumbi ao teu desdém Eu penso que há veneno Será que o teu lábio tem? Alisei os teus pentelhos Gozei no teu vaivém Não deu pra satisfazer Te espero em meu harém Tenho medo de te amar Que não me ames também Diz-me: tu me amas? Ora, ora, nhenhenhém Queres que eu morra logo? Quem ama não mata, hem! Jurei por Deus muitas vezes Pelo teu mal, pelo bem Por onde fores eu vou Ser teu anjo, teu pajem Se te disser: dou-te um tiro Aguarda o blém-blém-blém Passou a noite é dia Dormia como nenen Mourejo, confissão e sangue Transmuta para o zen Arrancar do homem a pau E do touro a sedém Para bandido ou monge É tudo como alguém Estar em terra ou no mar morto ou vivo, um refém.
JOEL DE SÁ SP, 15/02/08.
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