Ao poeta que amo

Data 12/02/2008 22:37:29 | Tópico: Poemas

Com o sentido canhoto
que me orienta a palavra
construo o relevo macabro
de um desfigurado poema.
Num labirinto feito de versos
tateio a adversidade
qual areia movediça
onde submergem meus olhos mutilados
à procura da imaculada poesia.
Nos segmentos solitários do papel,
absurdos momentos onde perecerão meus sonhos,
dorme o poeta que amo,
orgulhoso e indelicado,
imune às letras vermelhas
com que lhe homenageio a existência.
E do beijo ensangüentado e não dito
eu escrevo o acre sabor,
com o sentido canhoto
que me orienta a palavra.




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