
Razão e Pó
Data 28/05/2015 20:57:16 | Tópico: Poemas
| Somos qualquer coisa de tão efémero como o pó das estrelas pelo Céu, somos a ângustia à deriva no etéreo guiados p'lo destino à mão de Deus.
Somos na verdade o pó da Vida num corpo que dá forma à razão, somos realidade, nunca antes concebida, que Deus põe no pulsar do coração.
Somos uma busca incansavel num eterno prometido p´los avós, navegamos numa busca insaciável e afinal encontramo-nos tão sós.
E a procura é mais alta do que a morte, a morte mais desejada do que a vida, a Vida arrefecida em cada morgue e a morgue uma tristeza desinibida.
Faço dos meus versos autópsia à solidão num corpo que JAZ foi e JAZ não é, num destino que procura ter razão, sou morto sem caixão sem verdade nem fé.
Este não saber quem sou sem pensamento, esta vontade de morrer qu'inda me abraça, é loucura, é dolência, é tormento que atravessa o meu destino e me trespassa.
Ricardo Maria Louro em Lisboa
|
|