
NOITES SEM DORMIR
Data 12/05/2015 11:00:13 | Tópico: Poemas -> Góticos
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No meu acordar-me, todo eu sou fatalismo. Não durmo: constante consciência de mim próprio, no sonho com que me guio, na pressa de acordar. Mas um novo pesadelo,
Que vai do que aqui se finge, no dormir, para o que sabe bem reconhecer o aceno cénico, é que vem o prelúdio, onde tudo se torna numa repetição visceral : quase como que num déjà-vu sistémico.
E a cada noite, acabada de chegar, são as cobertas com que me tapo, o suplício e o pânico permanente, onde se me revelam todos os fantasmas, que são estes semimortos, em completa decomposição.
E o suor nocturno, principio activo, do que se sofre por antecipação, num movimento rápido e impulsivo de meus olhos, num sono que é só de temor, é que me deixa adivinhar uma nova noite, de silêncios a se quebrarem.
Então acendo cigarros atrás de cigarros, tentando expulsar, pelo fumo, os cadáveres sedentos de mim. E quando o sossego, é só um cansaço no corpo, entrego-me à displicência, de um sono, que não quer ter sono.
Por isso, eu digo: de quem as faces, que não mais reconheço? - Lembro-me vagamente: e foram trinta anos, só de vício -. Então, o que me falha? Quando de mim for a entregar o novo homem, que de ora em diante me veste, cabeça aos pés?
Jorge Humberto 11/05/15
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