
A CAMISOLA DAS NÚPCIAS
Data 02/05/2015 22:24:35 | Tópico: Contos
| (Mini conto surreal)
Sabrina Tompson escolhera a camisola cor de rosa para sua noite de núpcias. Anos nostálgicos de outrora... Pérolas, bordados e laços faziam o conjunto da bela relíquia. A camisola sobreviveu à sua primeira dona. Parou esquecida uns tempos numa mala baú. A obra da casa onde viveu (a filha e os netos continuavam ali), estava quase no fim. Faltava apenas limpar e organizar o sótão. A poeira tomava conta do lugar... Ao deparar-se com o baú antigo, a neta de Sabrina disse à mãe: - Esse baú era de vovó Sabrina... Posso ficar com seu conteúdo, mãe? Deve ter coisas lindas aqui dentro...
- Sim, pode Monique. Faça o que quiser com ele. Mas, limpe muito bem antes de levá-lo para baixo!
- Claro! Não vou levar para o meu quarto, sujo desse jeito!
Depois disso, limparam tudo no sótão, e logo tinha outra aparência. Lá seria a Oficina de Arte de Monique, para suas criações artesanais. Naquele espaço tinha muito material que poderia ser reciclado, e que se tornaria outra peça, nas mãos habilidosas daquela moça.
Ao abrir a mala baú, já em seu quarto, Monique ficou extasiada ao olhar a camisola de núpcias da avó. Era de fato, um belíssimo achado! Tudo encantava naquela peça de vestuário: Era especial para um momento íntimo, com toda certeza! Balançou a cabeça em desaprovação ao pensar em sua avó na lua de mel com seu avô...
Resolveu lavá-la com o maior carinho, para não soltar nenhuma daquelas lindas pérolas que ornava a camisola. Depois de seca, colocou-a num expositor e levou novamente para o sótão. Seria a peça de decoração, mais bonita para sua oficina de Arte! Como a camisola era cor de rosa, colocou cortinas brancas com um leve tom rosa bebê, e um tapete felpudo, fazendo o conjunto da decoração.
Surtiu efeito: Cada vez que alguém ali entrava, sua primeira visão era para aquela peça. As criações foram se sucedendo rapidamente, e Monique ganhava bastante dinheiro com seu trabalho. Um dia ela conheceu um rapaz, namorou, noivou e casou. Foi embora da casa em que vivera até ali. Levou a camisola consigo. Mas, ao sair daquela casa onde esteve sempre, a camisola por encanto, amarelou e suas pérolas soltaram. Somente quando Monique abriu a mala baú, dias depois, pode perceber o que havia acontecido. Sem entender como aquilo aconteceu, sentou-se na cama pensativa. O marido entrou na suíte do casal, e ao olhar para Monique, não a reconheceu: Estava velha... Algumas coisas nunca deveriam sair de seus lugares...
Fátima Abreu
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