
Quadras de uma Alma despojada
Data 29/04/2015 03:17:34 | Tópico: Poemas
| Num tampo de mesa fria escrevi da minha solidão, amargas dores que sentia como espinhos no coração...
Nessa dor que remoemos, nesse querer e nunca ter, há sempre alguém que não temos nessas horas de sofrer.
À mesa do que não temos nem a vida nos diz nada só lembrando o que perdemos dessa vida já passada.
À mesa do destino vai passando a nossa história meus cansaços de menino 'inda me toldam a memória.
Estes versos, por piedade, tem minha dor por filha, nesta mesa, na verdade, só o nada se partilha.
Num doer que não esquecemos num esquecer qu'inda nos dói, o porquê de não morrermos, desta ângustia que nos mói?!
Se eu pudesse tirar da mente esta dor que me esvazia, não era o poeta que hoje sente neste tampo de mesa fria.
Ricardo Maria Louro em Lisboa
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