
"As Puras e as Maganas"
Data 10/02/2008 21:36:53 | Tópico: Poemas -> Humor
| As Puras e as Maganas
E a História, que se repete Todo o homem cá se mede Por aquilo que parece!
Que tristeza! Que desperdício! Não é só a droga que é vício!
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É a língua que se agita É a mente que se excita Ao falar naquela dita!
Qual desdita, nem desdita! Ela que só usava chita Quer armar-se em gente rica?
Lá vai ela, altaneira Até irrita a peneira Para quem não tem eira, nem beira!
Olha p`ra cara pintada Unhas de quem não faz nada Parece que até tem criada!
A roupa é toda emprestada Quando não é toda dada Eu é que não digo nada!
Ai se vocês soubessem Da metade do que eu sei Aqui tem olho é rei!
Parece que está tudo cego Ou parece que têm medo Daquilo que nem é segredo!
Sorte a dela que o finado Que nunca foi pau mandado Já lá foi pr`ó outro lado.
Senão haveria de ver… Mandava-a logo fazer As limpezas e o comer!
Sim, porque agora a fingida Nem deve fazer a lida Nem da casa, nem da vida!
E vem para aqui toda armada Em senhora refinada Quando antes foi criada!
E dizem até que o patrão Jogava-lhe sempre a mão E ela nem dizia “não”.
Pudera, não tinha tostão ! E dando-lhe casa e pão Saltava-lhe pr`o colchão.
Ela diz sempre que não! E assim enganou o finado Que a tirou do patrão!
Pensando o desgraçado Que não lhe faltava bocado Quando a pediu em noivado!
Bom homem era o finado Que apesar de avisado Quis dar-lhe um nome honrado!
E o outro malandrão Que já tinha o seu quinhão Calou-se, e bem calado !
E a bicha, em vez de quieta Respeitando o pobre homem Anda assim…Ora tomem!
Isto há gente p`ra tudo Até se me volta a tripa Só de olhar para este Entrudo!
Se não fosse p`lo meu Zé Que já me proibiu banzé Eu dizia-lhe como é que é!
È que me dá umas ganas Quando vejo estas maganas Armarem-se em grandes damas!!!
E no fim quem as vê Pensam ser alta Mercê!!! Já me viu vossemecê?!
Dá-me cá uma destas iras Que eu dia não garanto Se não lhe faço a roupa em tiras.
Se ela olha pr` ó meu Zé Ai comadre, nem lhe digo Que vai ver o que é castigo!
Largo logo o meu “croché” Vou-me a ela, ai se vou Com as ganas que eu lhe estou.
Tiro a chinela do pé Mesmo cheirando a chulé E vai ver como é que é!
Mas eu fico só a ver Deixa-a fazer o que quiser Qu` eu cá estou pr` ó que vier!
Deixando o meu Zé em paz Ela que faça o que faz Cá pr` a mim, não vou atrás!
Porque eu cá sou assim Desde que não me meta a mim Eu não entro no chinfrim.
E se entendam no final Cada um com cada qual Que eu nem sou de falar mal.
E não esqueço às noitinhas Do terço pelas alminhas Que já lá estão, coitadinhas.
E cá rezo aos meus santinhos Pedindo p`los doentinhos E todos os pobrezinhos!
E é melhor nos levantarmos Para ir tomar a hóstia Já viram que ajoelhámos!
Não pensem que não confessámos!?!
(Por Ana C.)
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