
Ontem
Data 26/04/2015 01:08:10 | Tópico: Poemas
| Ontem invadiram meus canteiros, Espezinharam minhas flores, Partiram todos os vasos Do meu jardim Rasgaram minhas vestes Ultrajaram meu nome, Alagaram de sangue Os meus olhos. Apedrejaram meu rosto Ainda de menina Onde resplandeciam quimeras Numa rua com nome de poeta Defronte a tanta gente…
E gritam urros de vitória, Zombaram, Rebolando álcool, chapinhando No sangue da imbecilidade, Ocos estes crânios de gente.
Hoje bem tentam devastar No absurdo da existência As sementes que guardei Daquele anoitecer Parido de Primavera. Mas eles não sonham, Nunca o fizeram Eles não podem pensar, Foi-lhes vedada a lucidez…
Agora tenho tulipas, cravos, Roseirais, girassóis E até ervas do campo a crescer Num coração que continua a bombear O mesmo sangue outrora profanado Numa rua com nome de poeta. © Célia Moura – (a publicar)
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