
Ao Zeca Afonso
Data 25/04/2015 00:38:17 | Tópico: Poemas
| Nossos baús de prata Lançados á fúria das águas Que a sofrida existência Enlouquece, Em qual jangada, sossegadamente Repousam?
E, nossas vestes de jasmim Emudecem Percorrendo ávidas mãos, Esmeraldas, Áridas muralhadas polidas de decepadas palavras Em sacrifícios de aves mutiladas, Erguidas Perante estandartes e alardes De mentira!
Amanhece ainda o firmamento Da Saudade A roçar remanescentes veredictos De sarça inspirados, Corroendo arestas de matéria Na raiz dos povos.
E tu que cantas No teu canto, Desafias-me a voz nas entranhas da esperança, Abraçando o exausto fôlego de sempre Num gosto de fel, Vinho de desencanto!
Que nos importam os vendavais Se celebramos a cumplicidade, Quando a foz do riso e do pranto resvala Prenhe de silêncio acoitado na carismática agonia Das açucenas queimadas, E a utopia Ainda estremece o sangue da resistência Plantado nas cálidas margens da Ribeira!
Grândola ainda floresce?!
Ergamos somente o rosto de Abril Ao vento! Celebremos beijos ao divino pó do chão E perpetuamente cantemos Imagens de paz Nos mansos mastros da lúcida lealdade Em febris searas Lapidando na memória, Tua imensidão, Minha compulsão… Irmão de Liberdade! © Célia Moura , in “Jardins Do Exílio”
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