
Os cegos (Charles Baudelaire)
Data 16/03/2015 02:09:06 | Tópico: Poemas -> Sociais
|  Contempla-os, ó minha alma; eles são pavorosos! Iguais aos manequins, grotescos, singulares, Sonâmbulos, talvez, terríveis se os olhares, Lançando não sei de onde os globos tenebrosos.
Suas pupilas, onde ardeu a luz divina, Como se olhassem à distância, estão fincadas No céu; e não se vê jamais sobre as calçadas Se um deles a sonhar sua cabeça inclina.
Cruzam assim o eterno escuro que os invade, Esse irmão do silêncio infinito. Ó cidade! Enquanto em torno cantas, ris e uivas ao léu!
Nos braços de um prazer que tangencia o espasmo, Olha! também me arrasto! e, mais do que eles pasmo, Digo: que buscam estes cegos ver no Céu?
Charles Baudelaire
Trad. Ivan Junqueira Charles Baudelaire, poema traduzido por Ivan Junqueira.
Pintura: A parábola dos cegos, de BRUEGEL.
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