
De volta à insónia
Data 13/03/2015 14:49:42 | Tópico: Poemas
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aceito a inutilidade que carrego nas mãos, os quartos são sempre iguais, o eco das paredes permanecem terrivelmente sós, tão sós como as folhas que se mutilam nos passos cansados por um par de botas abandonadas
o vazio das algibeiras preenchem este pedaço de terra que me desola o peito, de dentro arranco um rio infindo de moinhos, o pão é talhado ruidosamente pela febre de bocas que mastigam a minha sanidade
onde quer que poise o olhar o retorno do vento é sempre veloz, a mecha já não adorna as candeias, vejo-me no meio do hall, completamente perplexo, as vozes rogam pela vida
ainda moro no infinito das coisas simples, onde o mar começa e a noite acaba, onde as flores fazem amor ao relento, e os lobos se deitam comigo à procura da lua dentro do meu quarto crescente
Conceição Bernardino
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