
Parábola
Data 03/03/2015 15:11:28 | Tópico: Poemas
| Se quiseres saber o peso exacto que me verga, minto-te, dizendo que esta manhã consegui erguer-me e que as minhas costas são prados verdes pintalgados de arco-íris.
Engano-te com a imponderabilidade grácil de um poisar de borboleta na minha mão, ou com o sorriso fácil de quem diz que tenho coração.
Minto-te no arrepio da lâmina e na insustentabilidade da alma dentro do meu corpo trespassado de águas em rescaldo de tormentas.
Talvez te peça. para saberes do profundo, que, por um instante, mandes parar o mundo, os rios, as fontes, as nuvens, as chuvas, as contracções de dor e de prazer na superfície da vida a acontecer em cada célula deste ciclo de águas turvas.
Se me perguntares o peso do mundo, a parábola exacta que me curvou, minto-te: digo-te que risco em contravoo o céu invertido dos sinais e vou ao fundo apenas porque sinto que viver é agora... ou nunca mais.
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