
CONVULSÕES
Data 21/02/2015 03:44:48 | Tópico: Poemas
| Fortes ventos. A noite parece funesta, Vejo micro-organismos em festa Tripudiando sobre meu catre.
Escuto bisonha gargalhada, São fantasmas que anunciam O verdor macrobiótico Da indulgente madrugada...
Fecho os olhos. Assisto à escuridão que treme Perante o assobio da mortalha Que rasga no espaço, as estrelas...
Meu pensamento é diáfano, Verto medo na solidão... Murmúrios macabros Invadem a consciência aflita...
Levito o olhar sobre o teto, Vultos apócrifos desconexos Dançam músicas fúnebres Sobre uma lápide imaginária...
Tento gritar... Esforço-me, Mas o grito fenece na garganta, E um pavor atônito se agiganta Deixando-me tétrico e ressabiado...
Cutuco-me. Estou vivo e aceso, Taquicardia inunda o quarto obeso, Consigo soletrar nomes avulsos, E cogitar preces num só impulso.
Sinto-me invadido pela depressão De um estuário de faces febris Que singram orvalhos pueris Do amálgama que é o coração...
Finalmente a noite se abre e O dia raia sobre nuvens burlescas... Trago flores bastante frescas Do pesadelo que foi conclave...
No sol percebo a magia do viver, O calor que arrebenta a nostalgia Da noite consumida pela fantasia De sonhos castrados ao amanhecer!
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