
Poema Corriqueiro de Passeio
Data 20/02/2015 09:57:48 | Tópico: Poemas
| Não sei se posso decidir Se me encontro afundado Ou mesmo afundado demais Jamais, na superfície Onde o mar faz ondas cristalinas E, à noite, em meio à escuridão, Brilham, as noites singelas das cidades [Longe dos aglomerados e centros urbanos]
O foco se perde no horizonte A fumaça da cana-de-açúcar queimada O bagaço que vira energia, Minha vida encaminhando-se a todos os lugares E a lugar nenhum, tudo numa só rota Pneus deslizando sutilmente através do asfalto Desviando-se dos sulcos e dos cães perdidos Eu, acompanhado por acordes de violão, O sofrimento quase nunca chega para aquém Dos fones de ouvido
Quase sempre vou encontrar o que resta Os nobres escombros do meu sangue Desviando olhares ainda, quase insegurança Mas valem por uns abraços que atingem Que nem pedra preciosa gravada Valem por umas conversas tão "por acaso" Que chegam a aquecer o coração Fazem-me quase esquecer a solidão
A solidão duma vida inteira, Assim, em exatidão, como o dito do poeta E quem diz que não é sozinho é rei ou mentiroso Quem diz que quando o menino vira rapaz E a menina, moça Ainda tem mãos em que se segurar, quando se cai E o terno e eterno colo de mãe pra voltar
-> Não tem! <-
O que tem é o que a gente leva Nessas viagens quase singelas Uma mochila nas costas, uma mala de mão E o arrebatamento pela incerteza O vento, que vez acaricia, vez queima a cara O sol se pondo, quando se escolhe o horário ideal De viajar
A gente vai ao nosso próprio encontro Seja na estrada ou não meditação A gente erra gastando tudo, quando tudo do que precisamos Vem e nos acomete, quando sonhamos A gente termina esquecendo o principal
Eu sei que sou dela e que ela me chama A natureza, os mares, as cadeias de montanhas E eu sei que vou correndo, sempre que puder Sei que enfrento frio e sede, sem almoço nem café Sei que é de natureza que meu coração sofre de saudade Da beleza do existir puro; o toque divino do orvalho Mas é de uma pilha de gente, também; uns personagens Umas imagens romantizadas que a gente guarda no peito pra se aquecer Mesmo que a última das intenções desses alguéns Seja a de olhar-nos de soslaio e nos reconhecer Porque - nem se iludam - não reconhecerão
Somos, afinal, só um bando de moleque chorão Porque a linha da pipa quebrou e o artefato foi-se embora Não adianta correr, o vento já levou-a, sóbria A gente só não sabe mesmo como termina a história Que, depois de tanto dar-nos maçada, Ainda meio que nos dá as costas Porque, além de solitários, temos que ser videntes, Na certa!
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