
REVIRAVOLTAS
Data 04/02/2015 14:31:22 | Tópico: Poemas
| REVIRAVOLTAS “Na poeira do velho estradão/ Deixei marcas do meu coração / E nas palmas da mão e do pé / Os catiras de uma mulher.” Rolando Boldrim in “Eu, a viola e Deus” Se um dia tu voltares, volta em paz. Não voltes por ter medo do futuro. Não nos cabe senão em horas más, A angústia d’um final tão prematuro... Mas se o passado não ficou p'ra trás, Tampouco esse momento ainda obscuro. Que a pretexto de andarmos sem perigos Afasta tanto amigos que inimigos. Não voltes porque temes triste fim! Não voltes pelo tédio do presente! A vida pode ser assim-assim... Contudo, a solidão é inclemente: Leva-nos a alegria até que, enfim, Não haja razões p’ra seguir em frente, Deprimindo-se o ânimo d'um jeito Que é difícil deixar o próprio leito. Não me tenhas como um cara-de-pau Arrependido de erros do passado... Sentado a t’esperar n’algum degrau Recordo antes o ardor que, enamorado, Em boa hora esqueço o dia mau. Apenas em ficar bem ao teu lado. A culpa como fardo se carrega, À espera d'um perdão que tarde chega. Mas, se a necessidade faz a lei, Um estatuto inteiro escreve o amor!... A única conclusão a que cheguei É de que não se vive sem temor De perder as batalhas que enfrentei Em tratados vazios de valor: Pouco valem papéis e seus dizeres Quando tratam d'amores e quereres. Dizem ser o melhor tempero a fome Como excelente ao sono é a fadiga; O desejo em ardor se nos consome E d’amores a noite é boa amiga. Tu, minha bela, tens da luz cognome. E hoje, teu doce olhar mais se bendiga! Luze na escuridão que nos rodeia E traze bons sabores para a ceia. A mágoa, n’esse arfar, tão logo fuja Nos permita o prazer e seu mistério. Teus beijos a lavar-me a boca suja Venham me redimir como homem sério E me rabisque a rude garatuja Onde te poetei fútil vitupério... Após eu difamar teu nome aos berros, Enfim haja perdão para meus erros! Encontre o meu olhar o teu olhar E a tua mão descanse sobre a minha. Eu possa uma outra vez te acarinhar Enquanto a tua nuca se avizinha... Penso eu cá do teu lado sossegar Para tu não dormires mais sozinha Se te alcanço os favores, mais e mais, Com sussurros abafo ora teus ais. Aos martírios da vida não se some O mal-de-amor de que falam os sábios, Sim a arte de amar mais se retome À leitura de velhos alfarrábios. Pois quando à morte sei ser o teu nome Que, sofregamente, hei-de ter nos lábios... É o amor uma morte, ainda e enfim, Se um dia tu voltares para mim. Sobrália – 02 02 2014
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