
PRISIONEIRO DO SURREALISMO
Data 05/02/2008 10:55:42 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| PRISIONEIRO DO SURREALISMO
Já não basta estarmos detidos em dédalos de artificialidade, Que emergem continuamente do dia-a-dia, Tenho ainda de ser perseguido por criaturas imateriais Qual num recente outrora Formavam benquistos e táteis átomos concretos reais.
Já não basta seguir neurótica e antifilosoficamente as regras Desta sociedade verticalmente vampírica E alheia aos inefáveis danos que provaca cada mordida, Cada interstício que se descerra, Cada chaga que, por si, não cicatriza, Sou compelido a mergulhar, dentro da atmosfera dos crepúsculos, Em companhia de reminiscências Tão pungentes: pungentes porque sei que não se recorporificam E retornam ao molde do vivo cotidiano novamente, Porquanto seja o nosso virtual cotidiano dantesco, horrível, Díspar, adorador de quimeras mortíferas.
Não, a bem da verdade, É que a matéria, de ontem, Solidificada, se comutara em água. Não satisfeita com sua gesta Entrara em ebulição e se fez fumaça á qual, aos poucos, foi se Afeiçoando ao frio, foi se tornando gélida; e, então, acabando por Subjugar o céu afogado em mar de azul anil. Não se contentando ainda em se gaseificar, quis soçobrar Seus átomos, chegando ao estado da imaterialidade. No entanto, mais uma vez não satisfeita, sob o manto da Inatingibilidade dos denotativos sonhos, começou a povoar O corpo idealístico dos meus anseios fadados sempre ao Desengano da natureza decepcionante residente no antagonismo Do que gravita na órbita do que se sonha em realizar e daquilo que, de fato, se realiza. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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