
REMORSO
Data 05/02/2008 04:29:37 | Tópico: Poemas
| Não há de vir simplesmente por vir, Nem há de aquietar-se brandamente em teu peito. Há de romper como rompe a força das águas; Há de esgueirar-se pelos meandros de tua alma E inundar toda tua composição humana. E quando vier, virá como uma tromba Arrastando a todo sentimento mesquinho, Todo o fingir de ti mesmo, Todo o acomodar-te risonho. E virá turbulento, derrubando tudo, Arrancando a cerca dos caminhos, Quebrando as porteiras dos medos e dos desenganos, Fazendo charco da tua mentirosa certeza. E aí tu terás somente o teu segredo, Apenas uma única verdade retumbando em teu seio, Sentirás o peso das tuas omissões, A frustração consumindo-te o espírito. E mesmo trazendo a bonança uma linda tarde, Indesejavelmente, Já não haverá mais tempo.
Frederico Salvo
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