
Onde os meus olhos me levaram
Data 08/01/2015 19:21:14 | Tópico: Poemas
| Meus passos são pesados e a dor é profunda Dói mais a minha alma pela humilhação Do que os meus braços pela força. O opróbrio me consome e a escuridão é terrível. Os dias passam devagar e ouço as gargalhadas Eles zombam de mim e do povo de Deus. Sou motivo de escárnio e chacota. Onde os meus olhos me levaram. Já não os tenho mais Eles foram arrancados de forma dolorida E a escuridão toma conta dos meus dias.
Meus olhos me levaram primeiramente aquela filistéia. E meus pais me avisaram sobre o perigo Não é bom misturar com esse povo, disse-me, Porventura não há mulheres das filhas dos israelitas? Eu quero aquela que meus olhos se afeiçoaram Foi a minha resposta. Aconteceu uma tragédia e cometi uma loucura por causa dela. Eles a mataram por estar comigo e eu os matei para vingar. Coloquei fogo na seara dos filisteus Escondi-me nas rochas de Etã E feri mil deles com uma queixada de jumento.
Meus olhos me levaram, então, A uma prostituta de Gaza. Não sabia eu estar sendo controlado pelas minhas Concupiscências insaciáveis. Fugi a meia-noite e levei os portões da cidade nas costas E o terror caiu sobre eles.
Mas o meu maior erro Foi ser conduzido pelo meu olhar terceira vez. Ela era linda. E me apaixonei. Não pensava em outra coisa a não ser nos lindos olhos de Dalila. E a ela entreguei minha alma. Sedutoramente ela me induziu a entregar-lhe Meus segredos mais profundos. E Deus me abandonou. Ele tirou de mim o seu Santo Espírito. Rasparam a minha cabeça e levaram minha força. Arrancaram os meus olhos Amarraram-me com cadeias de bronze E fizeram-me andar moendo aqui na prisão.
Enquanto caminho na escuridão Suplico o perdão de Deus. Tenha misericórdia de mim, Oh Deus! Lembra-te da misericórdia. Chamaste-me para fazer a diferença Para libertar o teu povo E não o fiz. Deixei-me ser levado pelos meus olhos E meu coração foi seduzido. Perdoa-me, oh Deus, e permita-me, pelo menos, Uma morte digna. Dê-me força só mais uma vez. Quando estiver entre as colunas do templo Permita-me matar esses incircuncisos.
Sinto meus cabelos crescerem outra vez!
Obs. Juízes 13 a 16 (a História de Sansão).
Poema: Odair
Odair José
http://odairpoetacacerense.blogspot.com.br
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