
Eis
Data 07/01/2015 18:19:03 | Tópico: Poemas
| Eis a cidade dos que não pensam mais, Dos que são apenas coisa Que não julga ou medita, Que não chora ou grita Nem olha para trás.
Eis enfim a sublime verdade Anelada por tantos, Por monges e abades: O ser infenso ao engano E à maldade.
Eis o fim de toda a divisão, De sentir-se descontínuo, De procurar, aflito, O que é contínuo No seio breve da paixão.
Eis o fim De procurar-me em tudo E só encontrar-me em mim Perdido, sem deus Ou serafim.
De julgar tudo No pensamento E não ver que Todo o juízo É um punho violento No espírito Repleto de certezas E tormentos.
Que todo rosto, Seja o da deusa Ou de um menino, Tem o mesmo destino Que o das nuvens No firmamento.
Eis o fim De toda a procura, Para enfim nos tornarmos Memória, lápide Ou escultura.
Eis o fim!
Fim da imensa jornada, Da clausura do eu, E se tornar coisa insofismável, Muda e quieta - breu No espírito do nada.
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