
O Velho e o Mar
Data 30/12/2014 20:04:55 | Tópico: Poemas
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Minhas mãos trêmulas seguram as redes como se fossem os meus pães e os meus peixes. Sou mais um entre outros, talvez o menos lúcido.
O mar me adotou nos lamentos de minha mãe. Nele fui criado, até me tornar homem forte. Não canso de olhar o horizonte, que se acaba não sei onde...
As ondas namoram a areia e eu namoro meus sonhos. Sou um velho apaixonado pelo canto das sereias. Farejo temporal, leio nuvens e as estrelas do céu que vão e vêm.
O mar apaga minhas memórias sofredoras. A pele morena não se acostuma mais ficar fora do sal. Fui adotado por águas claras, que não existem mais.
Mas ainda assim, bendito o dia em que nasci sem pai! Minhas mãos ainda tremem...não tenho pães, não tenho peixes. Ouço chamarem meu nome, lá longe...levanto e vou.
Vou pescar, sem anzol e sem isca...andarei até entrar no mar. O balanceio das ondas me lembrarão os braços de minha mãe. Sossego. É hora de descansar.
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