
O TIC TAC DO RELÓGIO
Data 12/12/2014 21:34:16 | Tópico: Poemas
| Tic tac, o relógio rouba meu pensamento Jamais gostei de andar em cima da hora Por isso autorizo a bater noite adentro Mesmo que meu nobre sono vá embora. Tornei-me escravo do meu próprio tempo Todas as noites, é interminável anáfora
Uso esta duração, fito a trinca de ponteiros Exercendo cronometricamente, a vil função. Percebi que sincronizados são certeiros Na maratona, o grande parece aguilhão Comprido, dobra voltas nos seus parceiros. O pequeno em derradeiro, quanta lentidão!
La vão eles, sem revezamento e descanso O grande adiantou-se, avançando segundos O pequeno disse : qualquer dia eu te alcanço Tem no coração ressentimentos profundos O médio retrucou: vejam ! Nunca me canso Estou acostumado, sigo todos os rotundos
Mais devaneios sem tarja preta , só agonia. Pela janela adentra os primeiros raios do sol Lá fora os pássaros já gorjeiam em sinfonia Aqui dentro relutante, abandono meu lençol Vivo em estado de embriaguez em pleno dia Me revigoro passeando no jardim do labaçol
As alusões concentram-se em minha mente Retornando para casa, o reencontro, a rotina Pressinto a noite me abraçando vorazmente Meu nervo incontrolado libera adrenalina O som dissílabo propaga no ar em repente Aquele maldito tic tac , que nunca desafina...
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