
Indiferentes
Data 08/12/2014 01:08:22 | Tópico: Poemas
| Se entro pela entrada ou saio pela saída, como poderei sentir o peso daquela subida, ou, perdido, descer lentamente a descida? Poderei ser tragado pela tristeza amarga ou esse sentimento fluirá suave, alegrando minha alma? Posso ser digno de mim mesmo, certamente certo, ou claro como a luz de um fim de tarde.
Qual caminho devo seguir? Escolho uma sessão de memórias, uma seção de sentimentos, ou uma cessão de partes de mim? Realizarei um concerto de emoções, ou consertarei pedaços quebrados? Estou com sede de algo além, e, no silêncio, sinto a sede de respostas. Eu cumprimento a vida, mas quanto tempo ela me devolverá? Certo ou errado, perdido ou achado, emigrante de mim ou imigrante dos meus sonhos? Com cautela, espreito o que sou ou expio o que me tornei?
A vida é falha, a mente, falha ainda mais, como o soar de um sino ao longe ou o suar de um corpo cansado. Tacha o que sou, taxa o que sinto, ou taxarei meu próprio valor? Farei uma descrição cuidadosa ou escondo-me na discrição? Irei apressar os passos ou apreçar o tempo que resta? Seu estilo é sensível ou um censo do que é correto? Vamos, diga-me: o que define um sinônimo que não seja o próprio reflexo? E qual é o antônimo que não nega sua essência? Quero sentir o oposto do contrário, tocar o que está além do simples.
Posso estar perto de tudo, mas sempre distante de mim. Às vezes, sou parte do vento, outras, sou o próprio instante em movimento.
No labirinto das palavras, me perco nas sensações, pois tanto faz o que é certo quanto o que são apenas intuições.
A verdade se esconde em cada toque, nas entrelinhas de um abraço, e o que parece exato já não tem mais espaço.
Então, diga-me: o que é existir sem sentir? Talvez o próprio sentir seja, na verdade, o existir.
O fim ou o começo será só uma percepção? Ou o dilema verdadeiro é a própria emoção?
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