
DARK VOICES
Data 01/02/2008 12:35:31 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| DARK VOICES
Sinto a soturna brisa adentrar a casa através da soleira da porta Da cozinha. Ela rocega a face minha De maneira quase não-sensitiva Todavia, felizmente, seu suave frescor tenuemente frio a denuncia
Com ela, vagalhões de imagens vêm á boca da superfície: Imagens que evocam as relíquias perdidas na arca gasosa De eras recentemente remotas e outras em índole assaz Diversa. A bem da verdade, diversa por gostar de seguir a Trilha deixada pela momentaneidade: esta sempre a descerrar O gás da contínua viagem. Sempre a carregar consigo um olhar De transato, como quem sempre esteja a pedir carona ao estuário: Estuário da imutabilidade
No entanto, como por encanto, as duas Nuanças, de natureza tão híbrida, se encontram, se irmanam, se Fundem, se corporificam: a formar uma só substância, uma tão-só Massa, somente um único conjunto de partículas. Sim, partículas Congregadas em torno de um ideal. Ideal de me enclausurar em Bosques labirínticos do ostracismo, onde me aterrem os meus Mais recônditos medos selvagens, meus intermitentes remorsos, o Lancinante olor da saudade. Enfim, o rosto medúsico do vazio A dardejar seu sorriso além d’amplidão entorpecedora do espaço Inefavelmente expansivo
Não obstante a tortura Não obstante a tormenta Não satisfeitas, elas se transmudam em pavorosa sinfonia de Hienas. Ah, elas caminham sobre o asfalto da rodovia que nos Leva á ópera da coruja, ao metálico concerto do corvo: Os quais esperam ansiosamemente o verter do sublime crepúsculo Imorredouro Oh, mas elas convertem-se, afinal, no réquiem uníssono da presa A saber ser finda a luz que nela se assenta, se aviva, Acenda!
Depois... paira o som Depois... reina a ressonância tácita Depois... o crepúsculo das eras fragorosas, onomatopéicas, Profundamente ressoadas Depois... a reverberação da vacuidade da magna voz: Magna voz que se cansa e se açaima Magna voz que, ao se calar, deixa o dantesco gosto da bile Ressoar na boca da nascitura madrugada: Madrugada da moribunda aurora pálida!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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