
Terror dos povos que habitam as bordas da terra
Data 24/11/2014 22:02:45 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Ah! Embrenho-me nas sombras, quedo-me ali quase invisível no espaço frio, distantes dos mortais olhares curiosos que se perdem na superfície do vazio. Habito o fluxo de sombras desenhadas, espasmos de luz, um plano reverso, na imensidão, fundo de todos os abismos, as aras de todos os altares do universo.
Trago a mente imersa numa nova visão arrancada das profundezas da memória , vagando nas noites em busca feroz de quem se atreveu a gritar meu nome, fazendo congelar nos lábios grito silencioso, cicios de raiva e desespero prementes, desaparecendo em fuga da luz, ao se anunciar o sol nas encruzilhadas.
Quedo-me em algum lugar na solidão, entregando-me ao passatempo favorito, na mente permanece num fosso escuro, a matança, o horror por mim perpetrado, causado pela ameaça do chamado fatal, vista mortal, o cheiro do sangue humano.
Na memória flutuam imagens vagas de quem ouviu sussurrar o hino da morte, viu nas urbes vazias as sombras dos mortos, em vez de viventes que respondem ao chamado grassando voraz o espírito do medo extremo, o terror dos povos que habitam as bordas da terra.
|
|