
Aos que jazem no desvão das almas
Data 25/11/2014 22:46:30 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| "... só ardem em febre atormentados por visões, emanações espúrias de vícios carentes de fé...” ----------------------------------------
- Aos que jazem no desvão das almas -
Por detrás de tão pesadas portas, expectativa da transição iminente, são muralhas inexpugnáveis, são paredes indestrutíveis, protegem cidadela sem igual. Adornado o centro de doze obeliscos, gigante de pedra à semelhança do pascal, para lá penetrar, apenas bater, clamar à porta tremenda não será o suficiente.
Ali, débeis as esperanças dos mortais se findam no fogo do sol poente, só ardem em febre atormentados por visões, emanações espúrias de vícios carentes de fé; então, resta acordar e vagar, anelar vão nos espaços frios, cegos ao olhar jacente. Se puderem voltar a si, verão num mar negro o bater das ondas à ré.
Suspiram saudosos pelos momentos em que a luz à frente era a visão, encantados instantes antes de se verem deitados na poeira da estrada, em caladas profundidades jogados, excluídos do espaço almejado, a ventura sendo agora mera ficção.
Jamais, sem sacrifícios hão de cessar os gemidos dos espíritos dos perseguidos; resta-lhes chorar melancolia inesgotável, ambições mortas, cheios de dor, desditas estampadas nas faces, no vórtice permanecem, jazem no desvão de almas consumidos.
25112014 -------------------------------------------------------------- ©LuizMorais. Todos os direitos reservados ao autor. É vedada a copia, exibição, distribuição, criação de textos derivados contendo a ideia, bem como fazer uso comercial ou não desta obra, de partes dela ou da ideia contida, sem a devida permissão do autor.
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