
Livre arbítrio
Data 22/11/2014 20:42:25 | Tópico: Poemas
| Como posso ser o que nunca fui? Descrever o que sentir, sem ser?
Queria eu ser a sensação Da folha ao tocar no chão. Também queria ser o chão E dar-lhe majestosa recepção.
O som do trovão queria eu ser E ecoar mostrando poder E da noite ser a mão Para a aurora dar proteção.
Tantas e tantas coisas queria eu ser. Ser o silencio que só no ventre do vento há. A distância que cada gota na chuva se dá. Ser o burburinho na vida do ar.
Querendo ser sou. Sou a musica que invento E digo que quem gosta é o tempo. Sou a sede da aurora E para ela domo minha história.
Sou a morte do grito O fim de seu rito Sou a fome a sede da vida Sou o punho cerrado Do livre arbítrio. Eu sou um mito.
Sou poeta E querendo ser Eu sou.
Enide Santos 22/11/14
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