
Talvez, um dia, precise de uma colher de prata
Data 21/11/2014 08:08:23 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
|
Talvez um dia você não muito distante precise urgente de uma colher de prata, tanta fama heroica gerada e produzida tirou mel dos olhares doces do vampiro. Zonzo entre bulcões de lágrimas ofegantes, exímio o adorador do fogo o frio achata; zambro, mal puxa do maço grosso colorido, um fino cigarro seco enrolado no papiro. Não vejo motivo nesse horizonte tátil para alguma preocupação mais forte, nem que se cumpram ao menos por ora outrora nítidos e ferrenhos juramentos, para que o descrente driblasse a morte, de alguma forma apenas com subterfúgio para lambuzar os pés, colorindo unhas com os alifáticos e aromáticos linimentos. Pois, siga avante, nutra e embale a ideia, mantenha firme mesmo no coração vazio, logo cedo novamente jogará essas roupas no desvão profundo do cesto de plástico com nódoas das côdeas de pão amanhecido; quando não quiser afrouxar o elástico, nem mais houver a esperança do gentio, nem mesmo depois que a sonda pousou.
Na realidade, apenas existe o que se vê, não creia naquela imortalidade anunciada, na malfadada tese brilhante acalentada desde o estrondo da criação do mundo, Acredite em verdade que na busca da lã, sempre será a ovelha que sairá tosquiada.
|
|