
[deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ilhas]
Data 18/11/2014 20:18:49 | Tópico: Poemas
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deslumbram-me os luzeiros que espalhaste pelas tuas ilhas clarões enfileirados saltitando no mar longínquo
espontâneos
possivelmente órficos como alguns anjos sem asas sem nexo [para que servem perguntar-te-ei?]
tudo se passa como me pediste
e não tenho como salvar-me de ti
à deriva
enquanto um silêncio ocasional trespassa em desassossego a brancura dos lençóis que antes queimavam abrasavam envolvidos por um trópico desconhecido.
Poderia reconhecer os continentes [ou os mares e marés]
esses nossos caminhos pelos ventos a cada hora pelas enseadas noturnas a teu lado
no entanto
tenho dentro de mim as pressas em partir as palavras infernais invernais nestes mistos desabridos ilusórios diáspora velocidade chuva sol
a vida continua oca
.e sempre ao longe a tocar horizonte um barco a arder que se esconde teatral talvez se deixe afagar animal dócil.
Fica-me a miragem algures
revelada pela nudez da maresia intensa exterior lustral
ainda tantos anos depois solta livre.
O outro que sobrevive sai porta fora.
(Ricardo Pocinho)
Apenas um texto que tinha mesmo de partilhar
Ser um grande Poeta
“Ser um grande poeta morto e nacional é atrair as moscas como idiotas e os idiotas como moscas.
Ser um poeta medíocre vivo e universal é atrair os catedráticos da literatura como idiotas e moscas.
Ser um poeta apenas nem vivo nem morto ou nacional ou universal é atrair apenas os poetas como moscas idiotas.
Moralidade: não há saída.”
(“Visão Perpétua”, 1982, Jorge de Sena)
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