
Incêndio
Data 14/11/2014 19:40:12 | Tópico: Poemas
|  Incêndio
Foi em agosto de um mil novecentos e cinquenta e três Que se formou um incêndio num sítio de um japonês E o fogo foi levado pelo vento quase sem poder parar Toda a vizinhança se reuniu para tentar interrompê-lo Mesmo com muita água e ramos verdes para contê-lo Não havia jeito de se fazer este incêndio se estancar
Nesta noite eu levantei da cama lá pelas nove horas Olhei do lado sudeste e contemplei pela noite afora Que há menos de mil metros se via labaredas ardendo E se ouviam sapos e rãs coaxando a beira de nosso rio Pois fazia muito calor provocado por longo tempo estio E muita preocupação a minha mãe estava remoendo
O meu pai e meu irmão mais velho ajudava a apagar Mas aquele incêndio enorme teimava em se alongar Roças e casas já estavam sendo pelo fogo, destruídas Mas quando foi chegando próximo ao dia amanhecer Uma chuva bem fininha, por Deus, veio a ocorrer E só assim as chamas deste incêndio foram contidas
Quando foi no dia seguinte nós ficamos informados Que os porcos de um vizinho foram todos queimados Pelo incêndio, que no ato, não pode ser impedido Na época eu tinha pouco mais de três anos de idade Lembro-me, como fosse hoje, e recordo com saudade Deste fogo que na infância não passou despercebido
jmd/Maringá, 14.11.2014
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