
Perdi-me de mim!!!
Data 04/11/2014 18:46:19 | Tópico: Poemas
| Perdi-me de mim, Por entre o ser tudo E o saber concreto Que não sou nada, Nem anseio ser nada...
Abro as janelas da alma, Sacudo a poeira que assenta Em cada aresta... De tão abandonada. Qual mistério me faz cair Na rua dos sentimentos, Fazendo ver aos olhos quão inacessível se mantêm As emoções.
Revejo sonhos, melhor, ruínas de sonhos Caídos por entre o que não fui, Não sou, nem nunca serei... Poderei-os mesmo assim chamar de meus?
O silêncio, não contém alguma resposta, Ecos de nada entoam nos ouvidos, Ou será só em minha cabeça? Nada sei, nada posso...
Perplexo me mantenho com o que desconheço Dividido entre a lógica e a razão. Me deparo com um cigarro na boca, E outro preparado na mão... Olho o fumo que não segue leis, Dança ao som da vontade, Crio círculos que se desfazem Com os lamentos do vento, E em mim me fazem crer numa estranha Sensação de que tudo é sonho Ou pesadelo...
Falhei em tudo e em nada A vida não chega com Manual de instrução...
Me revi escapar Pela janela da alma, Seria ilusão? E no final Foi a alma que escapou Por umas das minhas janelas? Sinto-me tonto, sem sequer beber, Cambaleio por entre dúvidas... O que penso? Quem sou? Quem nunca fui Ou serei... NADA!!!
Genialidade de um momento louco, Ébrio de certezas , sóbrio de incertezas, Estarei lúcido, ou adormecido? Vagando qualquer sonho nem sonhado!!!
Nunca verão a luz do sol Os meus sentimentos, Vivem enterrados dentro De um eu de mim perdido, Mas.... Mais sério, instruído, Romântico, sentimental.
Nao carrego conquistas, Mas alguns segredos, parte Deles os escrevo, esperança Vã que "aqueles" olhos os leiam Ou quiçá entendam, Ja que são tao incompreendidos Por todos.
Consciente que minha escrita Carece de qualidade, Talvez não tenha nascido para escrever, Não tenha o dom de me expressar Através das palavras... Só em raros casos de loucura Me mantive lúcido para me explicar.
Mas ainda tento!!!
Perdi-me de mim, Não sei quem fui, quem sou, Quem serei...
O vento que me afaga o cabelo, Me lembra o toque de um anjo E quando sopra seus ais, Me devolvem à ilusão Dos mais belos sussurros ao ouvido...
Sou escravo de sonhos, Sou rei em todos eles, Acordo, tudo baço, Realizo que não sou ninguem E tudo volta ao início, A dúvida, a incerteza, O meu ser indefinido...
Deixo aqui um retrato De quem não sou, nunca fui ou serei... Ficam aqui os versos que nunca escrevi, Por entre as folhas vazias da razão Onde existo apenas Para me contradizer...
Não fui sempre assim, O amor partiu-me o coração... Logo a mim que tanto amei. Hoje invejo quem não ama, Quem não sofre, quem não sente Só por serem diversos de mim.
Fiz o que pude Para ser feliz, Não resultou... Erro meu? Talvez Só sei que mudei tanto, Que hoje não sei quem sou, Quem fui, quem serei...
O vagão do destino que entrei era o errado. Notei de início, mas deixei-me levar Pensando que voltaria a mim um dia, Nem reparei que tirei só bilhete de ida, E não existe mais bilhete de volta.
Essência precária de versos inúteis, Que escrevo, com a tinta da dor, Não alcanço ninguém pelo caminho, Sigo só me abraço à solidão, Deve ser melhor que nada.. Enquanto isso, tento decifrar Quem sou, fui ou serei...
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