
Noção do Tempo
Data 03/11/2014 00:17:08 | Tópico: Poemas
| Noção do Tempo
Às vezes sinto uma enorme vontade de aninhar-me nos braços do passado... Encontrar todos aqueles seres que tanto me fizeram feliz, que me amaram intensa e verdadeiramente, que fizeram parte da minha vida de maneira doce e quente. Mas, o passado nem existe mais, e se existe não sei onde está, talvez num horizonte tão longínquo que não encontraria mesmo que passasse todo o futuro em busca. Ele saiu da minha vida tão sorrateiramente que não percebi, de repente, já era presente e eu ali a esperar que o futuro chegasse com todo o colorido que havia no passado. Ele encheu-me o coração de esperanças multicores, minha alma de belezas tão vãs que conseguia vê-las apenas numa transparência distante, deixou-me cheia de sonhos coloridos que, aos poucos ofuscaram minha vida e se transformaram em cinzas. As tristes marcas ainda sangram vez em quando se as lembranças desfilam na minha mente. Estou aqui de joelhos cansados, pés andarilhos, inquietos de buscar o futuro que o passado me impôs sonhar, não encontro nada nem ninguém que outrora povoaram meus dias tão jovens e ávidos de paixão, não encontro o amor que sonhara encontrar no futuro, esse que não chega nunca, cujas cores brincam de mudar, cuja transparência reflete-se no meu rosto frente ao espelho, e vai sumindo lentamente. Leva consigo toda arte arquitetada com tanto esmero, leva todo o brilho dos meus olhos, o esvoaçar dos meus cabelos, a agilidade das minhas mãos, a beleza do meu corpo e a sutileza dos meus encantos... Ah, passado... Onde estás agora! Traz para o meu presente o amor da minha vida que ora esquecido em teus braços ainda me faz sonhar com seus abraços, seus beijos doces que tanto me acalentavam. Nem sei se o meu tempo está contigo, nem sei se esqueci em teu pulso o meu relógio que te marcava, que me ajudava a contar tuas horas. Ah, Tempo... Perdi a tua noção!
Madalena Gomes João Pessoa, Pb 03.08.2014
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