
Sangria desatada
Data 27/10/2014 03:37:45 | Tópico: Poemas
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Chamo a musa de musa mas é fio de navalha. Minha carne vai sangrar um poema para a musa se banhar. Meu sangue de versos, hemáceas rimadas, é o caldo secreto que banha e alimenta a musa. Depois de limpa e vermelha - porque vermelho é sua cor preferida - ela deita-se ao meu lado e põe-se a lamber as feridas, as chagas por de onde partiram letras dilacerantes do poema delirante. A língua da musa me excita. Os pêlos do meu corpo eriçados são como cabelos levantados até o teto, lisos e finos, inpecavelmente esticados até o teto da minha vista. Os filamentos energéticos cicatrizam as rachaduras do meu espírito. A musa lambe os beiços, ri com a mão em seu sexo do que sinto sem saber o nome. Não é dor. Não é amor. Só consigo chamar de poema.
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