
Solidão da Praia
Data 27/10/2014 00:09:14 | Tópico: Poemas
| O dia cai. A noite invade meus pensamentos. A lua surge imponente Clareando o oceano em púrpura. Olho para o céu estrelado E meus olhos cintilam, igualmente... No delicioso frio, Meus dentes tiritam, Os lábios sentem arrepios E meu corpo treme... Meus cabelos esvoaçam, Minhas mãos se cruzam, A consciência matuta... Sou levado a muitas milhas Que se perderam no tempo E percebo a face úmida Pela saudade de ontem... Encaro as nuvens, Nelas desenho com a mente Facetas de felicidade, Enredos inebriantes, Episódios surripiados Por hediondas horas Que são madrastas E chicoteiam recordações... Os ventos tramam, Mortalhas rasgam a escuridão E me permito seduzir-me Pelo cheiro das ondas Que se partem nas pedras Onde sentado estou A contemplar meu destino... No espelho das espumas Enxergo luzes distantes Que me convidam a sorrir... Não posso! Que venha a madrugada A cochichar-me seus horrores Neste templo de solidão... Noto transformação E gotas d’água desabam Sobre minha cabeça... O céu se fecha, A cortina tapa minha visão, Então me deixo despencar Na areia... E adormeço Diante de mim E perante um mundo Que me desconhece... Jogado ao relento, Sonho no tapete De um litoral imberbe E de uma vida vivenciada Por ideais apócrifos... Amanhece... No dia lindo, sim, Sorrio para a imagem Que se fez em mim E que me torna príncipe De uma natureza cúmplice Do meu oportunismo!
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