
Meditação
Data 17/10/2014 21:15:10 | Tópico: Poemas
| Meu mar secou, As ondas sumiram, A areia mudou de cor, O vento sopra inverso...
Procuro pelas gaivotas Num céu híbrido, incolor... Escuto músicas sem notas, São as palavras dos meus versos...
Deito o olhar sobre as nuvens, Mas estão vazias, sem gotas d’água... As árvores estão desnudas, só penugens Então perambulo por caminhos incertos...
O sol quase se apaga... vejo sombras Onde bronzeio o pensamento que chora Pelo alimento que desce por sondas Perante vidas que veem a morte de perto...
Sou vulto que anda sobre cascalhos Ferindo os pés, mas sem sentir dor... Existências camufladas em atalhos Em becos que são enigmas perpétuos...
Pranteio na solidão que me desnutre As vísceras duma saudade que é tenda Onde dialogo perfume com os abutres E durmo encaracolado em meu deserto...
Afinal a água romanceia o infinito E meu mar ressurge bravio e límpido... Na nova areia a espuma é o pito Que estoura quando do sonho desperto!
|
|