O vagão semi vazio, leva apenas duas lágrimas e os olhos de onde escorreram e a alma de onde nasceram. No espaço pouco do corpo frágil, a dor balança como se açoitada fosse e Yumi ignora se ainda vive.
As janelas embaçadas não podem esconder as luzes vermelhas do bordel cambaleante. Dentro, jovens putas sorriem para homens velhos e não sonham, pois a Pedra de Brisa é sonho negado.
Yumi, a das lágrimas e a das coxas abertas e a do vagão semi vazio e a da vida no bordel entre os homens vermelhos de velhas luzes, cambaleia por longas corredeiras e íngremes ladeiras à frente do berro de cadela, de vaca amarela, de lanterna chinesa banguela de abat-jour de meia tigela e de japa piranha rameira sem eira, nem beira.
E no alto, um Pastor vocifera contra o mundo e anuncia o fim de Satã, o deus vivo dos homens ruins. E ao Deus morto, dos homens bons pede a desistência doutro Gênese, pois faltarão gregos para tantas tragédias e para secar as lágrimas de Yumi, sentada no vagão semi vazio, com as coxas abertas, à espera dos velhos vermelhos que chegam cambaleantes do bordel em que nasceu o Pastor.
O mundo não é o tanto que se alardeia. É só um quarto de parede e meia.
Produção e divulgação de Pat Tavares, lettré, l´art et la culture, assessora de Imprensa e de Comunicação Social. Rio de Janeiro, Primavera de 2014.
|