
Confissões de Um Velho Político à Beira da Morte
Data 24/09/2014 23:08:57 | Tópico: Crónicas
| Confissões de Um Velho Político à Beira da Morte
Confesso que menti inúmeras vezes. Confesso também que deixei as ideologias da juventude serem tragadas pela ambição, poder, dinheiro e vontade de vencer. Ainda, digo que muitas vezes deixei a família que constituí para trás, em meus interesses mundanos e fúteis! Confesso que me corrompi. Deixei meus valores de lado. Destruí vidas com atitudes impensadas. Deixei de ajudar: Abri portas para quem não precisava, mas fechei para quem realmente tinha necessidade. Confesso que me deixei encantar pelo sistema fácil que me ofereciam algumas pessoas. Fui comprado pelos maiorais: Pessoas com poder maior que o meu, pois tinham dinheiro, e posição mais elevada. Confesso que não estive presente nas horas mais importantes do lar: Não vi meus filhos crescerem de fato. Tampouco vi meus netos nascerem: Estava sempre ocupado nas campanhas políticas para minha reeleição. Confesso que minha esposa foi traída inúmeras vezes: Mulheres que só queriam se posicionar e levar alguma vantagem, se aproximaram de mim, e eu, homem que sou, não deixaria de aproveitar tais momentos... A minha vida foi levada anos a fio, pelos interesses. Conheci pessoas vãs, fui uma delas. Confesso que na hora da fazer promessas, eu iludia sem remorso... Confesso também e com o coração em frangalhos, que se pudesse voltar atrás, fariam tudo novamente: Exatamente como relato aqui. Há pessoas que não consertam nunca! Sou uma delas. E se você, que lê essa minha carta de despedida da vida, pensa que sou um moribundo, engana-se: Vou dar cabo dela. Pois os tormentos fazem com que pessoas como eu, nada tenham de bom para dar a mais ninguém. Fim do jogo. BUM! Fátima Fatuquinha Abreu
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