
mão decepada
Data 14/09/2014 01:40:39 | Tópico: Poemas
| Data do Poema – 29 Setembro 2007 Autor – António Casado Editora – Data publicação – Registo IGAC – Trabalho –
MÃO DECEPADA -
Quanto te dei a mão Arrancaste-me os dedos todos!
Mesmo que o sol rasgue as nuvens e as deite sobre mim Mesmo que as trevas imperem sobre o perfume das flores Das lágrimas derramadas, das dores de parto Sob a copa das árvores derrotadas Mesmo que as estrelas sequem o mar em chamas E em todas as noites um defunto se passeie pelas ruas Mesmo que a vontade seja um caos ou um barco Perdido no recanto das asas de um navio perdido Ou as sombras da montanha caídas sobre a planície Arrancarão todos os medos que o mundo poder suportar!
Sou a luz que romperá todos os olhos e os cegos verão O clamor que se lança de todas as garganta e as vozes gritarão Todos os animais poderão repetir os sonhos E acordarem dentro de cada flor como insectos Saciarão de amor e conhecimento as constelações Porque dentro da dimensão infinda de qualquer razão Estará a grandeza de se aspirara a chama da certeza De lutar pelo que acreditamos como uma condecoração!
Será fácil, demasiado fácil, contar os pigmentos da pele Ter a certeza final de que serão a verdade de todas as raças Como pedaços de nada e tudo que preenchem o infinito Enquanto a parte indomável da nossa disponibilidade de sermos infantes De uma aventura gigantesca, como a descoberta de um lírio É tão importante como um continente perdido na neblina.
Ao decepares a meus dedos levaste contigo a viagem… Nem o vento gritou, de tão pouco importante. Os meus dedos representavam somente um caminho Sem transparência, sóis dúbios, ilusões Arbítrio de ser aquilo que era, de construir o que queria Pela extrema devoção de uma panóplia de certezas Pois quando tudo se sabe recusa-se a voz que fala Que medita sobre o nosso corpo e adianta Um verbo às palavras escolhidas e ensurdecidas.
Acreditem no que quiserem, pois desejamos o que acreditamos A simplicidade de tudo querer é um barco à vela num mar turbulento A certeza a chama de uma vela inconstante que oscila Ou a razão do vento impelido pelo olhar de uma criança Porque os dedos são a faculdade de superarem obstáculos.
Permissivo a todas as vontades, redijo cartas vazias ao mundo. Dessa forma com os dedos decepados de poeta posso dizer Que o mundo acrescenta mais aos meus dedos Que a loucura impensável de uma mão decepada.
De qualquer forma, ser-se o que se é, é ser-se grande Dentro da grandeza que o pensamento simplifica Enquanto permanece em todos os seres a possibilidade De serem o que são dentro de todos os limites… Mas os limites da humanidade são o Universo! Quem crê no Universo crê na vida! Quem crê na vida, crê em si.
Todas as flores nascem indubitavelmente num jardim Seja qual for a terra onde ganhem raízes Seja qual for o jardim em que proliferem!
Decepaste os dedos, não decepaste a cabeça! O vento escreve por mim no vazio do papel.
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